Testamento: por que ele não é apenas para pessoas com muito patrimônio?
Nathália de Campos Valadares
Mestra cum laude em Direito Privado. Pós-Graduada em Direito Civil. Autora do livro Famílias Coparentais. Professora. Advogada Especialista em Direito de Família, Sucessões e Infância e Juventude.
Sumário
1. testamento: por que ele não é apenas para pessoas com muito patrimônio?.
1Testamento: por que ele não é apenas para pessoas com muito patrimônio?
Quando se fala em testamento, muitas pessoas ainda associam o tema exclusivamente à divisão de bens ou acreditam que esse instrumento é destinado apenas a famílias extremamente ricas. Na prática, a experiência na atuação em Direito de Família e Sucessões mostra uma realidade muito diferente.
O testamento é uma das ferramentas mais importantes do planejamento sucessório e patrimonial justamente porque permite organizar previamente questões familiares sensíveis, minimizar conflitos futuros e preservar patrimônio de forma estratégica.
Ao longo de mais de uma década de atuação exclusiva em Direito de Família e Sucessões, especialmente em inventários litigiosos e disputas patrimoniais complexas, é possível perceber que grande parte dos conflitos familiares nasce da ausência de planejamento sucessório adequado. Muitas vezes, famílias inteiras acabam envolvidas em disputas longas, emocionalmente desgastantes e financeiramente onerosas porque determinadas questões poderiam ter sido previamente organizadas por meio de um testamento bem estruturado.
Diferentemente do que muitos imaginam, o testamento não serve apenas para indicar quem ficará com determinado patrimônio após o falecimento. Ele também pode ser utilizado como instrumento de proteção familiar e preservação patrimonial.
Em muitos casos, famílias possuem imóveis, empresas, propriedades rurais ou patrimônio construído ao longo de gerações e desejam evitar que esses bens acabem saindo do núcleo familiar em decorrência de futuros conflitos, divórcios ou disputas sucessórias. O planejamento sucessório adequado pode contribuir para minimizar esses riscos.
Existem situações, por exemplo, em que o testamento pode ser elaborado em conjunto com outras estratégias patrimoniais justamente para conferir maior proteção ao patrimônio familiar, buscando evitar que bens historicamente pertencentes à família sejam atingidos por conflitos externos ou acabem sendo indiretamente acessados por terceiros estranhos ao núcleo familiar, como genros, noras ou companheiros em determinadas circunstâncias patrimoniais.